
2013-08-01 Hoje Macau
Mais de um ano depois de ter iniciado um estudo sobre a ligação entre o Metro Ligeiro e a nova fronteira, o GIT continua sem resultados. Fonte próxima do organismo confirmou ao HM que a futura localização do monumento português também está sob análise
A presença do monumento português de cor amarela nas Portas do Cerco há muito que é uma imagem de marca do património de Macau para quem atravessa a fronteira com o continente. Contudo, a chegada da nova travessia na zona do Canal dos Patos e do Metro Ligeiro poderá trazer consequências que ainda estão por definir.
Fonte do Gabinete para as Infra-estruturas e Transportes (GIT) confirmou ao HM que a futura localização do edifício histórico é uma das componentes que ainda estão a ser analisadas, num estudo iniciado em Maio do ano passado. O trabalho de consultadoria, a cargo da empresa de engenharia Parsons Brinckerhoff Asia, ainda não está terminado.
“O estudo não é especificamente sobre o monumento mas sim sobre a integração do sistema do Metro Ligeiro com a nova fronteira. Aborda uma série de vertentes. Mas havendo o monumento trata-se de uma peça importante. Estão a ser abordadas várias questões e ainda não pode ser avançado mais nada.”
O HM tentou saber como será feita a integração do monumento quando todos os projectos de infra-estruturas avançarem naquela zona, mas o Executivo não deu mais informações. Numa resposta escrita, apenas foi dito ao HM que a protecção do património estará garantida.
“No processo de implementação do Sistema do Metro Ligeiro, o GIT tem dado prioridade à integração entre o projecto e o ambiente envolvente, sendo incluída a salvaguarda dos monumentos ou património cultural”, aponta o organismo, que garante ainda ter vindo a manter “um diálogo estreito com os serviços na área do planeamento urbano e da salvaguarda do património cultural”.
O HM entrou ainda em contacto com o consórcio EFS, ligado ao projecto do Metro Ligeiro, mas os responsáveis não quiseram fazer qualquer comentário, por se tratar de um estudo encomendado pelo Governo.
EXIGIDA RAPIDEZ E PROTECÇÃO
Contactada pelo HM, a Associação dos Embaixadores do Património de Macau (AEPM) afirma “concordar com o estudo feito pelo Governo” na zona e “acreditar que o estudo seja bem sucedido e ajude a preservar o património cultural”. Mais, a AEPM “espera que os resultados do estudo possam estar completos e ser publicados o mais depressa possível”.
“O sistema do Metro Ligeiro trará um impacto negativo à paisagem visual das Portas do Cerco, especialmente para os que vivem nas redondezas. Não há dúvidas de que a preservação do património também tem de incluir o ambiente envolvente. Este impacto visual negativo no espaço, incluindo a praça das Portas do Cerco, não é aceitável”, disse o presidente da AEPM, Derrick Tam.
Os embaixadores do património falam ainda em “complicações” ao nível das ligações de rede do metro debaixo do solo, dado que os “edifícios estão muito concentrados”.
E exigem informações antecipadas. “Na construção do projecto o Governo tem de perceber como é que vai instalar essa rede e lidar com o acesso às Portas do Cerco debaixo do solo. Se o plano avançar, vai afectar de forma severa a vida dos moradores. O Governo deveria explicar previamente a questão aos residentes, por forma a evitar respostas negativas do público.”
A história do Arco das Portas do Cerco. A presença do monumento classificado pela UNESCO foi construído em 1870, tendo sido inaugurado a 31 de Outubro de 1871. A sua constituição junto à fronteira com a China serve de memória ao Governador Ferreira do Amaral e à tomada do forte do Passaleão. Com a frase “Pátria honrai que a pátria vos contempla” o monumento contém quatro lápides, que evocam precisamente o assassinato do Governador e a tomada do forte. Contudo, a construção da muralha do istmo é bem mais antiga, tendo surgido em 1573. Na época, era conhecida pelos portugueses como a “Porta do Limite” ou a “Porta do Cerco”, enquanto que os chineses a chamavam de “Kuan Chap”.
